quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dessa vez

Mais uma vez você saiu
Não disse nada ao me deixar
Como sempre aconteceu
Eu fiquei a lhe esperar

O tempo parou para ver você passar
A boca calou para ouvir você falar
O sono chegou de tanto esperar

Foi um fantasma que chegou em mim
Deixando o dia escuro assim
Mas a noite acabou
E você de novo não chegou

O tempo se foi e o sorriso também
Você me abandonou
E dessa vez foi para sempre

Mariana Rosell

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Garapa

Pois tenha certeza

Não sabemos o que é

Fome

Não sabemos o que é

Querer e não

Ter

Necessitar e não

Suprir

Suplicar e ninguém

Ouvir

Pois tenha certeza

Não sabemos o que é

Fome

Temos tudo de que

Precisamos

Não nos falta

Nada

Nós já temos o

Bastante

Pois tenha certeza

Não sabemos o que é

Fome

Não conhecemos esse

Sofrimento

Não conhecemos essa

Dor

Não dormimos

De estômago vazio

Pois tenha certeza

Não sabemos o que é

Fome


Mariana Rosell

domingo, 3 de outubro de 2010

Casa de árvore

Esquina de rua

De terra e carvão

Caco de telha

Poeira no chão.

Muda de mel

E céu azulado

Flor de papel

No canto apagado.

Pergaminho em garrafa

Mensagem cifrada

Nadando em rio

Repleto de água.

Colibri a voar

Na mata fechada

Casa na árvore

Clube de nada.

Mariana Rosell

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A diferença da cor

Em tom amarelo

Ele veio de verde

Com olhos azuis

E boca vermelha

De camisa laranja

E luva branca

E sapato preto

Fez as cores colorir

Em tom azulado

Ela veio de preto

Com olhos vermelhos

E boca sem cor

De blusa branca

E nua de calça

Sem luva, sem nada

Fez das cores sua dor

Mariana Rosell

sábado, 28 de agosto de 2010

Fez-se pó

Na claridade ou escuridão
Só resta a lembrança
De uma vida que se foi
Vazia de atenção
E alegria e afeto

Tudo o que um dia foi inteiro
E quebrou partiu
Fez-se pó

E o pó é cinza do que veio
Lembrança do que passou
Tempero de quem se amou

Companheiro da solidão

Mariana Rosell

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Celebrare

À noite. O centro.
Não é dia de festa.
As ruas não estão tomadas
por multidões.
O centro é tomado por quem
o tem como casa.
Pessoas deitadas, espremidas
sob marquises estreitas,
misturadas aos ratos
que celebram a comida.


Mariana Rosell

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Quietude

A gente tem certeza
de que ama alguém
quando só de ouvir a voz dela
um sorriso surge
e o coração se conforta
em saber que
mais uma vez se pode ouvir
o som da
quietude.

Mariana Rosell