terça-feira, 21 de setembro de 2010

A diferença da cor

Em tom amarelo

Ele veio de verde

Com olhos azuis

E boca vermelha

De camisa laranja

E luva branca

E sapato preto

Fez as cores colorir

Em tom azulado

Ela veio de preto

Com olhos vermelhos

E boca sem cor

De blusa branca

E nua de calça

Sem luva, sem nada

Fez das cores sua dor

Mariana Rosell

sábado, 28 de agosto de 2010

Fez-se pó

Na claridade ou escuridão
Só resta a lembrança
De uma vida que se foi
Vazia de atenção
E alegria e afeto

Tudo o que um dia foi inteiro
E quebrou partiu
Fez-se pó

E o pó é cinza do que veio
Lembrança do que passou
Tempero de quem se amou

Companheiro da solidão

Mariana Rosell

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Celebrare

À noite. O centro.
Não é dia de festa.
As ruas não estão tomadas
por multidões.
O centro é tomado por quem
o tem como casa.
Pessoas deitadas, espremidas
sob marquises estreitas,
misturadas aos ratos
que celebram a comida.


Mariana Rosell

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Quietude

A gente tem certeza
de que ama alguém
quando só de ouvir a voz dela
um sorriso surge
e o coração se conforta
em saber que
mais uma vez se pode ouvir
o som da
quietude.

Mariana Rosell

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Candango

Vivia na terra e buscava o mar;
Chegaram em casa, bateram à porta,
Convidaram a migrar para uma nova terra,
Construir uma cidade nova, diferente, única,
Moderna.
Migrei.
Levei família e o pouco que tinha,
Deixei a terra, o lar e o pouco que tinha.
Ao chegar, tinha vasto campo,
Um planalto bem no centro
Do país do futuro, em construção.
Tinha plano, tinha terra,
Não tinha mar, não tinha nada.
Fizemos prédios, fizemos igreja,
Fizemos lago, fizemos casas,
Fizemos tudo, não tivemos nada.
De tudo que construí nada era meu;
No plano bonito e perfeito da cidade do futuro
Não cabia gente pobre, gente humilde.
O homem desfilava de carro novo
Pelas ruas que eu asfaltei e eu
Não posso usar o hospital
Que eu mesmo pintei.
Expulso eu fui do lugar que montei.
Hoje eu moro abandonado, esquecido,
Ao redor da cidade do futuro.
Olho de longe, sou mal quisto.
Ao lado dos corpos que não resistiram
Sucumbem os que sobrevivem
À Margem da imagem futurista
Da cidade do futuro.
E paradoxal!


Mariana Rosell

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Girassol da janela

E quando a saudade aperta,
É o amor que se manifesta.
Reflexo claro e óbvio
Do que bate dentro do peito
É a lágrima que escorre,
Docemente,
Pela face que mais uma vez sorri.
Pois vem de novo uma luz,
Amarela,
É o girassol da janela,
De amor e
De carinho;
Presença constante
No meu dia-a-dia.

Mariana Rosell

terça-feira, 13 de julho de 2010

C'est l'amour

C'est l'amour qui sourire
Les nuages s'écartent
Le soleil brille comme fleur
La vie revient

Une mer inonde mon âme
Les lumière allumer ma douleur
Tout disparaît
Il ne reste que le sourire

La joie de vivre
A chaque instant intensément
Complet, entier
Pour l’amour pleinement


Mariana Rosell