terça-feira, 1 de junho de 2010

Praia

O toque da areia
A brisa do mar
O sol que bronzeia
O cheiro de terra no ar

Em volta as montanhas
Frontalmente o horizonte
Que toca o mar pelas entranhas
E faz da água nossa fonte

Bela praia
Leve brisa
Sal do mar
Sabor da vida

O céu azul
As árvores a farfalhar
O som das ondas
Quebrando no mar
Sensação de vida
Sensação de prazer
Sensação de melhora
Sensação de renascer

Nuvens fogem
Pelo mar afora
Com o mar na minha frente
Me sinto bem melhor

Areia fina
De cor branca
Grama verde
Forra a montanha

Azul do céu
Azul do mar
Verde da montanha
Amor no ar


Mariana Rosell

terça-feira, 25 de maio de 2010

Tatuado em mim

Tatuei seu rosto
Por todo o meu corpo
Tatuei seu nome
Para jamais esquecer

Fiz de você
Marca permanente
Que brotou a semente
Do meu novo ser

Você ta marcado
Colado
Grifado
Em mim

Tatuei você
Tatuei você
Tatuei em mim
O rosto que mais amei

Você está marcado em mim
E vai ser sempre assim
Com seu nome
Seu rosto, você em mim

Permanente
Insistente
Consistente
Tatuado em mim

Mariana Rosell

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tecnologia

A tecnologia que destrói o belo
tira do sol o amarelo
submete todo o Sul
tira do mar o seu azul
pinta de cinza a paisagem
que irriga e faz drenagem
faz voar e faz matar
faz sorrir e faz chorar
traz a fome, traz a sede
tira da mata o seu verde
vem a noite, vem a lua
tira a grama e põe a rua
polui o rio e os ares
derrete o gelo
aumenta os mares
destrói lares
trouxe a modernização
sem pensar na extinção
na destruição
na poluição
na submissão
na obrigação
na contradição.


Mariana Rosell

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Bahia

Terra de amores, flores e cores
Terra de bares, mares e lares
Terra de vigários, operários e itinerários

Terra de Gil e Caetano
Terra de Gal e Bethânia
Terra de Dorival do samba

Terra de histórias
Terra de glórias
Terra de oratórias

Terra de sóis
Terra de anzóis
Terra de lençóis

Com ou sem
Todos os seus santos
Ainda mantém
Todos seus encantos

Terra verde e amarela
Terra branca e anil
Talvez seja a mais bela
Terra do nosso Brasil


Mariana Rosell

sábado, 1 de maio de 2010

Amor, sol, lençol e carinho

Hoje cheguei a sangrar por dentro
Porque me fez lembrar o ungüento
Daquela noite bordado de sol
Que observei emaranhada no lençol

Envolvida nos laços dos seus braços
Fiquei, permaneci, enterneci
Preenchi com amor todos os espaços
E com lençol e sol nos cobri

Desfeito nosso olímpico ninho
Eu parti deixando você sozinho
Embaraçado, embolado no lençol
Parti sozinha, deixei o sol

Deixei só, você no lençol
Deixei você somente com o sol
Vim só, senti saudade
De toda sua claridade

Vamos reencontrar o lençol
Trago o amor e você o sol
Em nosso ninho
Só restará amor, sol e carinho

Mariana Rosell

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tercetos de adeus

É, agora vai ser assim
Eu com você
E você sem mim

A nossa flor se perdeu
Dei ao primeiro que
Passou quando a lua acendeu

Nossa taça se quebrou
Junto com o amor
Que há tempos se acabou

Tudo o que era seu eu joguei
Pela janela do quarto
Que um dia eu usei

Você saiu pela porta
E não estranhei
A nossa história já era morta

Mesmo com o pequeno ruído
Que você fez ao ir embora
Eu sabia que você tinha saído

Melhor assim
Eu com você
E você sem mim

Do que era seu
Guardei apenas o bilhete
Que na chuva você me deu

Mesmo molhado, borrado
Sujo e rasgado
Ele sempre será guardado


Ah!esse bilhete
Representa todo o nada
Que um dia foi tudo

Tudo que agora
Está apenas no bilhete
E na sujeira embaixo do tapete

Nossa foto é com o tempo
Ele irá apagar
A lembrança do nosso momento

Joguei quase tudo fora
Arranquei até as cortinas
Que você não levou embora

Na parede aquele quadro
Está quase destruído
O vidro é todo estilhaçado

Por causa daquela flor
Toda de pedra
Que você jogou na parede

Querendo acertar o nosso amor
Você errou o alvo cego
E acertou o quadro verde

O que você pensa agora
Tanto faz
Sua opinião não mais me importa

Fizemos questão de separar
O que parecia estar unido
Mas na verdade só faltava quebrar

Os cacos da nossa união
Escondi no cofre
Nem tentei colar em vão

Nossa almofada colorida
Não está mais
Nem perfumada nem preenchida

O violão você deixou
E aqui vai ficar
Para eu lembrar do que passou

Devolve-me a flauta
Que você roubou
Ela é minha, toda minha

Na mesa do café
Ficou o guardanapo
Embrulhando a minha colher

Juro que tentei correr
Pra tentar me despedir
Mas você fez questão de se esconder

Então pegue essas palavras
Pois elas serão as últimas
Por elas vou me despedir

Tudo o que é seu está no chão
O meu novo telefone
Anotei num papel de pão

Se um dia quiser ligar
Não tenha dúvida
Ainda tenho algo a falar

Mas se acaso estiver ocupada
Não se iluda
Estarei com alguém que me faça sentir muito mais amada

Mariana Rosell

quarta-feira, 31 de março de 2010

A dor (No fundo dos olhos dele)

Ele veio como quem não sabia o que dizer, mas na verdade ele não sabia como dizer. Tocou em meus braços, segurou minha mão e acariciou meu rosto com todo amor que sentia por mim. Senti que ele queria me falar algo, mas não achava as palavras. No fundo dos olhos mais lindos que eu já vi, havia uma dor, muita dor.
Não suportando me olhar profundamente, ele se virou de lado e parou durante instantes. Ao fim de sua pausa, que para mim pareceu eterna, ele disse palavras desconexas das quais não pude extrair nenhum significado. A única coisa que conseguia observar era a dor no fundo dos olhos dele.
Eu queria ajudá-lo, penetrar na mente dele para poupá-lo do sofrimento de ter que pronunciar aquelas palavras que insistiam em não sair. Então me esforcei para decifrar os códigos da angústia que habitava e intensificava a dor no fundo dos olhos dele.
Percebia que algo o estava incomodando muito. De repente, entendi; no gesto simples e no lamento da expressão, pude compreender que aquele era o adeus. Então só conseguia ver a dor no fundo dos olhos dele.
Ao perceber que eu compreendera seus sinais, pareceu respirar aliviado por se ver livre do fardo de ter que me dizer adeus. Ele então me olhou da maneira mais profunda; a dor ainda estava no fundo dos olhos dele, mas agora esta tinha que lutar com o brilho que só aqueles olhos tinham.
Ele não disse nada, abriu a porta e saiu.

Mariana Rosell