sábado, 2 de janeiro de 2010

E lá vem 2010...

Pensei muito e a dificuldade em escolher o primeiro texto de 2010 foi enorme. Então, achei que escrever um texto especialmente para a ocasião seria o mais adequado, mesmo que, talvez, ainda seja insuficiente.
O fim do ano é sempre da mesma forma: pessoas felizes, pessoas tristes, todos se abraçando, sorrindo ou chorando, muitos presentes, muita comida, muito desperdício e assim por diante. Não que eu não goste, pelo contrário, eu adoro essas datas, adoro ver a cidade toda se enfeitando, luzes, brilhos, pelúcias e papais-noéis vindos diretamente do Polo Norte para um país tropical sob efeitos do aquecimento global. Apesar de tudo, do clima nostálgico, do balancete anual, da saudade de quem foi, da esperança de quem vem; apesar de tudo que se esbanja, eu gosto do Natal e do Ano Novo.
Na véspera de Natal é aquela festa e a Xuxa na tevê, contando todo ano a mesma historinha sem graça, alterando apenas as roupas escandalosas e a Sasha, que está cada vez maior. Às vezes também muda os convidados que vão lá dublar algumas músicas natalinas / infantis, mas a Ivete tá lá todo ano; nada mais justo, já que Natal é época de reforçar os laços, de amizade inclusive.
Dia 31 tem São Silvestre e todo o ano os quenianos mostram o quanto o investimento brasileiro em esportes que não sejam o futebol ou alguns com mais destaque é insatisfatório. Tem show, tem festa, tem champagne, tem brinde, tem choro e tem uma esperança de que no ano que vai nascer tudo vai ser diferente. E é isso que me incomoda tanto. Não entendo muito bem porque as pessoas acham que só porque vai virar a meia-noite tudo vai mudar, tudo vai ser mais fácil. Nada cósmico acontece, é apenas mais uma madrugada que se inicia. Só porque resolvemos acreditar que um ano termina e o outro começa, não significa que as pessoas vão mudar e o mundo vai melhorar.
Não critico a esperança, a desejo, a necessito; mas ela não basta! Ação tem que estar junto, de braços dados, assim como fazemos durante a queima de fogos na Avenida Paulista ou na praia de Copacabana. Porque se não for assim, não vai adiantar nada e no fim desse ano vai ser tudo da mesma forma: Xuxa na tevê, quenianos dando show em terra tupiniquim e gente morrendo aos montes por causa da destruição diária da Natureza pelo Homem e por causa do descaso com a vida.
Que venha 2010!

Mariana Rosell

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Peixes

Qual rio com poucos peixes,
Sou eu com os meus caros.
São poucos por questão
De adaptação, combinação.

Nem todo peixe vive no rio,
Nem todo peixe vive no mar.
Nem todo peixe consegue sobreviver
Aos alagamentos ou às secas;
Nem todo peixe ama tanto sua morada
A ponto de preferir resistir nela
A abandoná-la pelo oceano.

Uns se foram, outros, talvez,
Ainda virão.
E o vai-e-vem pode ser eterno.
O rio só deve se preocupar
Com os peixes que escolheram
Suas águas para nadar.

Preencho uma mão com
Os peixes que me são fieis,
E banhá-los é minha única preocupação.
Pois esses são os essenciais.

Não me importo se são poucos.
Pois de nada adianta
Rio farto de peixe
Se à primeira estiagem
Eles fogem para o mar.


Mariana Rosell

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A alma e a dança

É a minha alma que está ali, no palco a dançar, expressando-se por meio do meu instrumento carnal. Ela, que se manifesta por mim, salta e valsa sob a luz dos holofotes, sob os olhos atentos da plateia, sujeita a todo tipo de crítica: elogio ou maldizer.
Exposta em seu íntimo, faz de si o melhor para agradar ao espectador. Talvez nem saiba que mais bem faz a mim, que me curo de qualquer dor sempre que me empresto ao seu ofício.
A música me penetra, movimentando inconscientemente tudo o que me compõe, encantando cada olhar apreciador, suavizando cada ouvido interessado. Sonorizada pelo tom mais doce, que é todo tom, a minha alma dedica-se sempre mais ao movimento, realizando cada simples piscar de olhos com a mais pura dedicação.
Entrega-se inteira, me preenche por completo e expõe todo o sentimento, sem ter consciência da energia floreada, tudo o que me faz ser quem sou: minha dança à flor da pele.


Mariana Rosell

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Das flores e do povo

Brotam novas a cada dia,
Ao amanhecer se entregam
Ao mundo, as flores de toda
A vida.

Desperta cansado todo dia
O povo humilde que se entrega
Ao poder de todos os senhores,
Os mandantes.

E elas crescem e desenvolvem
As cores; e as flores
Fazem da cidade algo
Um pouco mais colorido.

E ele vai comprimido
Pelos seus pares, pelos trilhos
E trajetórias semelhantes,
Massacrantes.

Perfumam, embelezam, sorriem,
Fazem sorrir, cheirar e amar.
À noite repousam sua beleza
Para no dia seguinte brotar.

Caminha, corre, sorri;
É feito cochilar pelo desgaste.
À noite repousa seu corpo cansado
Para no dia seguinte despertar.

E assim se dá a rotina
Semelhante ou dispare,
Porque das flores e do povo
Só difere o teu olhar.


Mariana Rosell

sábado, 28 de novembro de 2009

“Se é amor, que seja verdadeiro.”

Não entendo a redundância.
Por acaso existe amor que não seja verdadeiro?
Para mim, não faz sentido.
Quando se ama, só pode ser com verdade.
Sem verdade não há amor, não há entrega, não há cumplicidade.
O amor é verdade, e esta lhe é intrínseca!


Mariana Rosell

domingo, 15 de novembro de 2009

Complexo

Agora só me resta escrever
As lágrimas rolam novamente
E os olhos fazem transparecer
A dor que a gente finge que não sente

Não adianta olhar pra trás
Meu tempo passou e eu não vi
Ainda não entendo, mas
Eu vou sorrir para fingir

Não será completo fingimento
Não é sempre que é dor
É um complexo sentimento
Algum tipo de amor

Talvez seja arrependimento
E é isso que parece
Mas já não é meu o momento
Não sou eu quem acontece

Só me resta olhar pra frente
Ou olhar ao meu redor
Tanta gente diz que sente
E eu sei que não sou só

Vou tentar não mais chorar
Descansar no anoitecer
Minha vida vou levar
Esperando por você


Mariana Rosell

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Soneto da espera II

Estou disposta a esperar
Todo o tempo necessário
Para que você possa me dar
Uma dose de amor diário

Ponho-me sempre a olhar
As recordações postas no armário
Algumas vezes me fazem chorar,
E não é extraordinário

Sou toda disposição
Para esperar você
Sei que não será em vão

Estou aqui para você
Está aberto meu coração
Para novo amor viver


Mariana Rosell